
“Os grupos de fanáticos, no hinduísmo, no islamismo e no cristianismo, foram recrutados, quase exclusivamente, entre esse tipo de fiéis que se acha nos planos inferiores de bhakti (devoção). Essa exclusividade de adesão ao objeto amado (nishta), sem a qual nenhum amor verdadeiro pode desenvolver-se, é também, frequentemente, causa da não-aceitação de toda outra coisa. As mentes débeis e pouco desenvolvidas, em toda religião ou país, não tem mais que uma maneira de amar seu próprio ideal, isto é, odiando qualquer outro ideal. Isto explica porque um homem que está tão amantemente aderido a seu próprio ideal e tão dedicado a seu próprio Idea acerca da religião, se torna um fanático desejando impor-se, a grito, quando vê ou ouve algo que se relacione com outro ideal. Essa espécie de amor, às vezes se parece com o instinto canino que protege a propriedade do amo contra os intrusos; somente que o instinto do cão é melhor que a razão do homem, pois um cão jamais toma o amo por inimigo, mesmo vestido com outros trajes. Além disso, o fanático perde o poder de raciocinar. As considerações pessoais são em seu caso, de tão absorvente interesse, não importando o que o homem diz, se correto ou equivocado, mas, particularmente, quer saber sempre quem diz. O mesmo homem, amável, bom, honesto e afetuoso para os que compartilham sua opinião, não vacilará em cometer os atos mais vis contra pessoas alheias ao grupo de sua irmandade."
Este texto de Vivêkánanda é sem dúvida muito interessante. Embora ele comente sobre o fanatismo religioso, também nos abre a cabeça para o fanatismo em várias outras áreas de nossas vidas.
Engana-se quem pensa que é um texto antigo e que não tem mais a mesma realidade de outrora. Ele é mais atual do que nunca. Basta observar as constantes guerras ao redor do mundo, em sua maioria, elas tem fundo religioso. Mas não precisamos ir longe, basta observar ao seu redor, você verá inúmeros fanáticos incapazes de conversar, interagir, sociabilizar com pessoas que não pertençam ao seu credo religioso.
É só na religião? Não. Isso ocorre em quase todos os grupos sociais. Quase sempre há uma forma de exclusão ou mesmo agressão aos que não compartilham os mesmos ideais, podemos citar as torcidas “organizadas”, alguns grupos de lutadores (me recuso a escrever arte-marcial) entre outros.
Estendendo um pouco mais esta reflexão chegamos a sociedade como um todo. Quantas pessoas ao longo da história foram martirizadas, torturadas, queimadas (antigamente com lenha, hoje com jornais), simplesmente porque não pensavam da mesma forma que os demais? Lembremos de Giordano Bruno, Galileu, Blavatsky.....
Para nós fica em primeiro lugar o auto-estudo para que não nos deixemos cair em fanatismo com o que quer que seja. Em segundo lugar, o constante cuidado para jamais, jamais mesmo excluir ou agredir (com pensamentos, palavras e atitudes) qualquer pessoa.
Isso é parte do Método DeRose. É aprender a viver melhor e se relacionar melhor com o mundo a nossa volta!
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