Em 2001 o instrutor Pedro Carrer decidiu deixar a Faculdade de Engenharia mecânica que cursava na Universidade Federal de Uberlândia para se dedicar exclusivamente ao SwáSthya Yôga. Tendo retornado à sua cidade natal, Goiânia, ele retoma o trabalho do SwáSthya em Goiânia, que a mais de 5 anos não contava com um instrutor formado.
Inicialmente as aulas eram ministradas em academias, tal como a Athletics. Locais que ate hoje mantêm as aulas regulares de Yôga para iniciantes.
Em agosto de 2002 foi fundada a Associação dos Profissionais de Yôga de Goiânia, tendo como Diretor Geral o instrutor Pedro Carrer. Situada à rua 87 número 750 próximo à praça do ratinho a Associação promoveu um enorme desenvolvimento do SwáSthya Yôga em Goiânia, formando diversos novos instrutores, dando suporte para a fundação de novas associações, expandido o número de academias, escolas, clubes e parques que oferecem o Yôga à população Goiana.
Sempre nos preocupamos em oferecer não só as aulas de SwáSthya Yôga, mas especialmente promover um ambiente agradável no qual nossos alunos pudessem desfrutar de uma gostosa convivência. Participar de atividades culturais interessantes e a cada dia conhecer ainda mais sobre o fascinante universo do Yôga antigo.
Foi assim que a nossa escola cresceu, se expandiu e hoje está em novo endereço. Agora na rua 10 número 851 no setor Oeste. Um amplo sobrado com uma estrutura maravilhosa para lhe oferecer o que há de melhor em yôga.
Quer nos conhecer melhor?
Contato
(62) - 3214-1739
oeste.go@metododerose.org
Rua 10 n.51 St. Oeste Goiânia-Go
Uma breve história do Yôga em Goiânia
quinta-feira, 31 de julho de 2008
Núcleo Cultural Oeste - Yôga em Goiânia

Conheça o melhor do Yôga em Goiânia
O que fazemos
Ensinamos as pessoas a explorarem o seu potencial e se tornarem pessoas melhores em tudo o que fazem.
Ensinamos as pessoas a explorarem o seu potencial e se tornarem pessoas melhores em tudo o que fazem.
Como fazemos
Através de um conjunto de técnicas que promovem o auto-conhecimento. Contribuindo para desenvolver mais vitalidade e disposição para a vida diária. Em suma, qualidade de vida!
Através de um conjunto de técnicas que promovem o auto-conhecimento. Contribuindo para desenvolver mais vitalidade e disposição para a vida diária. Em suma, qualidade de vida!
Nossa Casa
Nossa casa é um ambiente de cultura e bem-estar. Nos diferenciamos, não só pelo serviço de qualidade que prestamos, mas sobre tudo pelo ambiente aconchegante e acolhedor. Um local onde você será muito bem recebido. Poderá interagir com pessoas interessantes, ampliar o círculo de amizades e cultivar a qualidade de vida.
Oferecemos, além das aulas regulares, uma ampla diversidade de atividades extras que geram grande interação dos alunos, instrutores e convidados. Em nossa casa você poderá participar de palestras, cursos e workshops sobre comportamento, gastronomia, etiqueta, história e filosofia oriental.
Nosso Método
O nosso método ensina a explorar o seu potencial, tornando-se uma pessoa cada vez melhor. Através de um conjunto de técnicas você aprenderá a se conhecer, desenvolver mais vitalidade e ampliar a qualidade de vida.
Entre as técnicas aplicadas você aprenderá como respirar melhor, a trabalhar o seu corpo de maneira inteligente, desenvolvendo tônus muscular e flexibilidade. Treinará técnicas de descontração muscular e nervosa, que gerenciam o stress, técnicas de concentração e meditação que ampliam o poder de foco e desenvolvem o auto-conhecimento.
Tudo isso conduz a um sensível aumento de vitalidade que enfim deflagra o auto-conhecimento, meta de nossa proposta filosófica.
Nossa casa é um ambiente de cultura e bem-estar. Nos diferenciamos, não só pelo serviço de qualidade que prestamos, mas sobre tudo pelo ambiente aconchegante e acolhedor. Um local onde você será muito bem recebido. Poderá interagir com pessoas interessantes, ampliar o círculo de amizades e cultivar a qualidade de vida.
Oferecemos, além das aulas regulares, uma ampla diversidade de atividades extras que geram grande interação dos alunos, instrutores e convidados. Em nossa casa você poderá participar de palestras, cursos e workshops sobre comportamento, gastronomia, etiqueta, história e filosofia oriental.
Nosso Método
O nosso método ensina a explorar o seu potencial, tornando-se uma pessoa cada vez melhor. Através de um conjunto de técnicas você aprenderá a se conhecer, desenvolver mais vitalidade e ampliar a qualidade de vida.
Entre as técnicas aplicadas você aprenderá como respirar melhor, a trabalhar o seu corpo de maneira inteligente, desenvolvendo tônus muscular e flexibilidade. Treinará técnicas de descontração muscular e nervosa, que gerenciam o stress, técnicas de concentração e meditação que ampliam o poder de foco e desenvolvem o auto-conhecimento.
Tudo isso conduz a um sensível aumento de vitalidade que enfim deflagra o auto-conhecimento, meta de nossa proposta filosófica.
A Relação Mestre Discípulo - história mitológica de Ganêsha

Conta a lenda que certa vez, Shiva cansado de suas andanças pelo mundo e decidido a compartilhar o resto de sua eternidade ao lado de sua consorte, Párvatí, decidiu escolher entre um de seus filhos para ser o general de seus exércitos e o senhor da proteção do mundo.
Como ate hoje é costume dentro de algumas artes milenares da Índia, como no próprio Yôga, antes de se passar a incumbência de uma tarefa que se requer tamanha confiança e responsabilidade a um sucessor, se faz uma série de testes que avaliam o real caráter do pretendente.
Assim, Shiva convoca Ganêsha e seu irmão Skanda para uma disputa. Aquele que primeiro completasse a volta em torno de seu mundo seria o senhor protetor e serviria a Shiva nesta tão nobre e sagrada missão.
Skanda era um jovem muito determinado e comandava uma das maiores e melhores legiões de soldados que serviam fielmente a Shiva. Era o esperado para a missão de perpetuar o legado de Shiva e proteger o Universo de todas as hordas de demônios e malfeitores. Já Ganesha era um jovem bem mais novo e com muito menos experiência na arte da guerra, mas que sem dúvida possuía um carisma incomparável com todos os seus servos e também possuidor de uma lealdade inquebrantável a Shiva.
Sem dúvida era uma escolha difícil, pois ambos eram dotados, cada qual a sua maneira, de qualidades que eram essenciais para proteger o mundo.
Skanda organiza todo o seu exército e manda que eles abram o caminho por onde seu senhor General irá passar. Assim ele garante liberdade total para completar a volta no mínimo de tempo possível. E assim acontece, Skanda é extremamente rápido e em pouco tempo já esta de volta aos pés de seus pais, clamando o direito de representá-los no mundo.
Somente então ele percebe que Ganêsha já estava lá, assustado e julgando ser impossível alguém ser mais rápido que ele, Skanda, questiona Ganêsha como ele conseguiu tal feito ao que Ganesha responde.
“- Meu mundo são os meus pais.”
Assim Ganêsha que havia dado a volta em torno de seus próprios pais é nomeado o Senhor da Proteção e até hoje na Índia se reverencia Ganêsha como “O Protetor”.
Lembrando que na relação Mestre/discípulo, estes são tidos como pai e filho, a tal ponto que as tradições mais antigas como o Tantra expõe em seus textos (Tantras) que o ensinamento só deve ser passado de pai para filho, através da tradição oral, o parám-pará. Essa história ilustra bem o relacionamento que se espera entre ambos. O discípulo deve ter o Mestre como o seu próprio mundo, o seu Universo a ser conhecido. É com tal identificação que você deve escolher um Mestre para lhe acompanhar na senda de seu desenvolvimento pessoal dentro do SwáSthya Yôga.
Perceba que a liberdade de escolha é do próprio discípulo, é ele quem decide escolher este ou aquele Mestre, ao Mestre cabe a decisão de aceitar ou não o discípulo de acordo com sua própria avaliação do caráter e índole do pretendente ao discipulado.
Uma vez escolhido o Mestre e tendo sido aceito, vem a parte mais difícil, o real sub-julgar do ego e a abertura para aceitar as transformações que ocorrerão em virtude dos ensinamentos e intervenções do Mestre em sua vida.
Só quando realmente aberto aos ensinamentos do Mestre é que conseguimos uma verdadeira evolução na senda. Obviamente o aprendizado depende muito mais do discípulo muito embora o Mestre em alguns momentos chegue a suspender suas considerações pessoais para dar assistência ao discípulo.
Jamais confunda total dedicação do Mestre em ensinar ao discípulo e a necessidade de uma lealdade inquebrantável com um protecionismo, o que pode incorrer em um comportamento não adequado e quase infantil que se baseia na crença de que o Mestre é o responsável pelo crescimento do discípulo, quando na verdade todo o desenvolvimento esta atrelado à real dedicação do discípulo.
Com relação às qualidades e atitudes esperadas de um verdadeiro discípulo os Tantras enumeram as seguintes:
“O discípulo dever ser nobre, puro, visar o mais elevado objetivo humano, ser um estudioso, habilidoso, focado em se libertar;
Ele dever ser benevolente em relação aos seres viventes, ortodoxo, cumpridor de seus próprios deveres, esforçar-se para ser amorosamente bom com pai e mãe1;
Deve gostar de ouvir o Mestre em assuntos do corpo, fala e mente, livre de conceitos acerca de mestres, posição social, conhecimento, riqueza e assim por diante;
Deve estar preparado para dar sua vida a fim de obedecer às ordens do Guru2, abrindo mão de seus próprios planos e sempre extraindo prazer em trabalhar para o mestre.”
Sháradátilaka Tantra
Especialmente para os praticantes de uma linha Tantrica a relação Mestre discípulo deve ser muito bem observada e preservada. Ocorre que pelo fato do Tantra ser uma filosofia comportamental de características matriarcal, sensorial e des-repressora há um relacionamento muito mais amigável e amoroso entre o Mestre e o discípulo a ponto de se tornarem verdadeiros amigos. No entanto há que se observar um senso de hierarquia e respeito muito valioso. Jamais perca o foco desde relacionamento, ele será sempre o seu Mestre e seus pedidos devem ser sempre acatados com irrestrita dedicação e esforço.
O questionamento compulsivo e as emoções pesadas tais como raiva, cobiça, ilusão,orgulho e inveja atravancam o desenvolvimento. O que se espera de um verdadeiro discípulo é o desejo de aprender e de se transformar. O desejo que o torna capaz de se superar e dedicar com real afinco à sua evolução pessoal. Sem isso, o discipulado não ocorre e o discípulo estará fadado a vivenciar frustração e sofrimento inútil.
Mestre é aquele que interfere em sua vida de maneira a processar uma alquimia e transformar uma existência de chumbo em ouro. É ele o responsável por agir diretamente em sua personalidade e transformá-la, moldando um Yôgin perfeito e altamente capaz de preservar a tradição a qual pertence.
1) Vale a pena lembrar que para o verdadeiro discípulo o Mestre é como pai e mãe.
2) Guru , embora no ocidente, tenha ganho um ar de misticismo muitas vezes de forma pejorativa, é apenas a tradução correta da palavra Professor no Hindi e no Sânscrito. Sendo assim Guru é o professor de música, de linguas, matemática ou outra arte qualquer.
Vairágya - O Despreendimento

Vairágya - O Despreendimento
O Mestre que salva uma mulher
O Brahmachárya é uma das duas filosofias comportamentais ao qual o praticante de Yôga deve seguir. A primeira e mais antiga é o Tantra. Tantra significa ente outras coisas, encordoamento de um instrumento musical, trama do tecido, teia ou a maneira correta de se fazer algo. A filosofia tantrica propõe uma maneira mais descontraída e gostosa de se viver, um comportamento matriarcal, sensorial e des-repressor. Contrário ao comportamento Brahmachárya que é patriarcal, anti-sensorial e repressor, típico das culturas guerreiras. O Tantra surgiu em uma civilização muito antiga , datada de mais de 5000 anos em uma região ao Noroeste da atual Índia. Embora seja mais antigo e por isso mais autêntico dentro do Yôga foi subjulgado pelas invasões arianas as quais os tantricos foram impostos. Sendo assim o tantra se tornou secreto e hoje existem poucas escolas que segue este padrão comportamental. Na Índia existem proporcionalmente cerca de 100 mil vezes mais bramachárya do que tantricos.1
Tal como a maioria dos Mestre na Índia o é, este de nossa história não poderia deixar de ser bramachárya. De sorte que um dia quando ele e seu discípulo fiel atravessavam o rio Gangês eis que uma pequena canoa que ao lado deles seguia vira e derruba uma donzela nas águas turbilhentas do rio. O Mestre não pensa duas vezes e se joga na água na tentativa de salva a mulher.
Após muito esforço e uma boa dose de Kúmbhaka ( retenção da respiração) o Mestre consegue chegar à outra margem do rio e salva a mulher.
O discípulo fica atordoado. “Como meu Mestre teve a coragem de tocar nesta mulher?” Não era para menos, no mesmo dia a poucas horas antes o Mestre falava do perigo que é uma mulher. Dizia ele: “Fuja das mulheres, ela são piores do que carne.” No entanto ali estava seu mestre com uma jovem em seus braços.
Para completar a cena o Mestre ainda teve que fazer uma respiração boca a boca nela. “Ai não, já é demais!!!” Pensou o discípulo.
Para o bramachárya a simples presença de uma mulher no mesmo espaço físico já é uma ofensa. O Tantra já tem um posicionamento bem diferente, ele vê a mulher quase como uma Deusa, capaz de realizar um milagre que nenhum homem é capaz, o milagre da vida.
Durante todo o restante do trajeto o discípulo se calou, não disse uma só palavra, nem se quer quis comer quando pararam para um breve descanso. Ele se remoia todo por dentro pela atitude do Mestre. Como um bom bramachárya ele não falou nada, ficou apenas se remoendo. No final do dia ele já não se agüentava mais, tinha que falar, queria saber como o Mestre foi capaz de tal ato.
Claro, o Mestre nada respondeu. Não se deve questionar um Mestre é ele quem questiona o discípulo. Assim a noite para o discípulo demorou a passar, ele não dormiu um minuto se quer. Só pensava.
Pela manhã foi de novo questionar o Mestre: “Mestre, como foi capaz de tocar naquela mulher?Como podê?” Novamente o Mestre nada disse, apenas retribui a pergunta com um olhar repreensivo. Daqueles em que não se precisa dizer mais nada. E novamente o discípulo fica se amargurando.
Naquele dia o discípulo não fora capaz de aprender nada, de realizar nenhum exercício respiratório, mantra, meditação, nada. Tudo devido ao impensável ato do dia anterior.
A noite, percebendo a frustração do jovem discípulo o mestre foi falar com ele. “Meu bom aprendiz, eu carreguei aquela mulher por alguns segundos para retirá-la da água. E vos que carrega-a ate hoje em seus ombros?”
Esta história ilustra bem o principio do vairágya, despreendimento. Segundo Patáñjali em sua obra Yôga Sútra, existem duas formas de se atingir a meta do Yôga o Samádhi. A primeira, abhyása ( prática diligente) consiste no enérgico afã de conquistar a estabilidade da consciência, ou seja a prática constante, por um longo tempo e com ininterrupta dedicação. A segunda é o vairágya ( despreendimento) este consiste em subjulgar a compulsão pelas dispersões, aprender a desligar-se e viver o momento presente.
Inúmeras vezes o praticante iniciante senta para iniciar o seu sádhana e não consegue se desligar de fatos acontecidos no dia anterior ou mesmo de fatos que ainda estão por vir. Perdem um tempo precioso de auto-conhecimento com pensamentos fúteis que não irão resolver em nada o passado e nem mesmo moldar o futuro, uma vez que estes pensamentos serão entrecortados com o desejo de se concentrar e vivenciar a prática que ali está sendo conduzida.
Outras vezes é a nossa reação aos desafios que nos impede de progredir. Temos a oportunidade de nos superarmos, conhecermos nossos limites e tentar nos aperfeiçoar a cada prática, no entanto, alguns não aceitam suas limitações e desencadeiam uma avalanche de emoções que impedem o desenvolvimento e ainda intoxicam o corpo emocional com detritos de tais emoções pesadas.
Vairágya, é aprender a deixar as coisas acontecerem, aceitar os limites, os desafios. É ter consciência de que as suas limitações devem ser superadas aos poucos e não da noite para o dia. É saber que cada indivíduo tem um limite próprio e não querer se comparar a ninguém a não ser consigo mesmo.
Por tanto ao sentar para o seu sádhana, desligue-se. Esqueça o passado, o futuro. Se dê ao luxo deste breve lapso de tempo. Não se preocupe com o colega ao lado, com o professor, com ninguém. Olhe para dentro, sinta-se. Vivencie a delicia de se fazer SwáSthya Yôga!
O Mestre que salva uma mulher
O Brahmachárya é uma das duas filosofias comportamentais ao qual o praticante de Yôga deve seguir. A primeira e mais antiga é o Tantra. Tantra significa ente outras coisas, encordoamento de um instrumento musical, trama do tecido, teia ou a maneira correta de se fazer algo. A filosofia tantrica propõe uma maneira mais descontraída e gostosa de se viver, um comportamento matriarcal, sensorial e des-repressor. Contrário ao comportamento Brahmachárya que é patriarcal, anti-sensorial e repressor, típico das culturas guerreiras. O Tantra surgiu em uma civilização muito antiga , datada de mais de 5000 anos em uma região ao Noroeste da atual Índia. Embora seja mais antigo e por isso mais autêntico dentro do Yôga foi subjulgado pelas invasões arianas as quais os tantricos foram impostos. Sendo assim o tantra se tornou secreto e hoje existem poucas escolas que segue este padrão comportamental. Na Índia existem proporcionalmente cerca de 100 mil vezes mais bramachárya do que tantricos.1
Tal como a maioria dos Mestre na Índia o é, este de nossa história não poderia deixar de ser bramachárya. De sorte que um dia quando ele e seu discípulo fiel atravessavam o rio Gangês eis que uma pequena canoa que ao lado deles seguia vira e derruba uma donzela nas águas turbilhentas do rio. O Mestre não pensa duas vezes e se joga na água na tentativa de salva a mulher.
Após muito esforço e uma boa dose de Kúmbhaka ( retenção da respiração) o Mestre consegue chegar à outra margem do rio e salva a mulher.
O discípulo fica atordoado. “Como meu Mestre teve a coragem de tocar nesta mulher?” Não era para menos, no mesmo dia a poucas horas antes o Mestre falava do perigo que é uma mulher. Dizia ele: “Fuja das mulheres, ela são piores do que carne.” No entanto ali estava seu mestre com uma jovem em seus braços.
Para completar a cena o Mestre ainda teve que fazer uma respiração boca a boca nela. “Ai não, já é demais!!!” Pensou o discípulo.
Para o bramachárya a simples presença de uma mulher no mesmo espaço físico já é uma ofensa. O Tantra já tem um posicionamento bem diferente, ele vê a mulher quase como uma Deusa, capaz de realizar um milagre que nenhum homem é capaz, o milagre da vida.
Durante todo o restante do trajeto o discípulo se calou, não disse uma só palavra, nem se quer quis comer quando pararam para um breve descanso. Ele se remoia todo por dentro pela atitude do Mestre. Como um bom bramachárya ele não falou nada, ficou apenas se remoendo. No final do dia ele já não se agüentava mais, tinha que falar, queria saber como o Mestre foi capaz de tal ato.
Claro, o Mestre nada respondeu. Não se deve questionar um Mestre é ele quem questiona o discípulo. Assim a noite para o discípulo demorou a passar, ele não dormiu um minuto se quer. Só pensava.
Pela manhã foi de novo questionar o Mestre: “Mestre, como foi capaz de tocar naquela mulher?Como podê?” Novamente o Mestre nada disse, apenas retribui a pergunta com um olhar repreensivo. Daqueles em que não se precisa dizer mais nada. E novamente o discípulo fica se amargurando.
Naquele dia o discípulo não fora capaz de aprender nada, de realizar nenhum exercício respiratório, mantra, meditação, nada. Tudo devido ao impensável ato do dia anterior.
A noite, percebendo a frustração do jovem discípulo o mestre foi falar com ele. “Meu bom aprendiz, eu carreguei aquela mulher por alguns segundos para retirá-la da água. E vos que carrega-a ate hoje em seus ombros?”
Esta história ilustra bem o principio do vairágya, despreendimento. Segundo Patáñjali em sua obra Yôga Sútra, existem duas formas de se atingir a meta do Yôga o Samádhi. A primeira, abhyása ( prática diligente) consiste no enérgico afã de conquistar a estabilidade da consciência, ou seja a prática constante, por um longo tempo e com ininterrupta dedicação. A segunda é o vairágya ( despreendimento) este consiste em subjulgar a compulsão pelas dispersões, aprender a desligar-se e viver o momento presente.
Inúmeras vezes o praticante iniciante senta para iniciar o seu sádhana e não consegue se desligar de fatos acontecidos no dia anterior ou mesmo de fatos que ainda estão por vir. Perdem um tempo precioso de auto-conhecimento com pensamentos fúteis que não irão resolver em nada o passado e nem mesmo moldar o futuro, uma vez que estes pensamentos serão entrecortados com o desejo de se concentrar e vivenciar a prática que ali está sendo conduzida.
Outras vezes é a nossa reação aos desafios que nos impede de progredir. Temos a oportunidade de nos superarmos, conhecermos nossos limites e tentar nos aperfeiçoar a cada prática, no entanto, alguns não aceitam suas limitações e desencadeiam uma avalanche de emoções que impedem o desenvolvimento e ainda intoxicam o corpo emocional com detritos de tais emoções pesadas.
Vairágya, é aprender a deixar as coisas acontecerem, aceitar os limites, os desafios. É ter consciência de que as suas limitações devem ser superadas aos poucos e não da noite para o dia. É saber que cada indivíduo tem um limite próprio e não querer se comparar a ninguém a não ser consigo mesmo.
Por tanto ao sentar para o seu sádhana, desligue-se. Esqueça o passado, o futuro. Se dê ao luxo deste breve lapso de tempo. Não se preocupe com o colega ao lado, com o professor, com ninguém. Olhe para dentro, sinta-se. Vivencie a delicia de se fazer SwáSthya Yôga!
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