
Desde os tempos antigos – podemos nos localizar na Grécia antiga – a sociologia e a filosofia já eram conscientes da relação intrínseca entre o homem e o meio. Podemos citar Aristóteles que, em seu livro A Política, insere o homem como um “animal cívico” e comenta: “ Aquele que por sua natureza e não por obra do acaso, existisse sem nenhuma pátria seria um indivíduo detestável, muito acima ou muito abaixo do homem.” Parte desse conceito pode ser estudado e compreendido à luz de uma palavra grega: E]egrégoroi, hoje conhecida como egrégora. Ela designa a força que é gerada por um grupo de pessoas quando reunidas por um objetivo comum, força que tem a capacidade de induzir os indivíduos do grupo a sentir, pensar e agir dentro de um mesmo padrão. Dentro desse contexto, insere-se o Método DeRose, uma urdidura de conceitos e técnicas que, especialmente através do convívio, do exemplo, ou seja, da egrégora, propõe uma profunda modificação comportamental no indivíduo e destarte contribui para um mundo melhor.
Nos incunábulos do estudo do comportamento humano, os clássicos consideravam a sociedade como um fator absoluto e central que simplesmente influenciava o indivíduo – desconsiderando suas particularidades - e o projetava à interiorização dos valores sociais. Hoje, os estudos coadunam para a ideia de uma sociedade que influencia e ao mesmo tempo é influenciada pelo indivíduo, dando assim um maior destaque à ação do homem sobre a formação da sociedade na qual ele vive. Constitui-se uma via de mão dupla, na qual o indivíduo, com suas preferências, aptidões e autonomia, molda a sociedade em que vive e, por outro lado, a sociedade que influencia e molda as linhas gerais de ações do indivíduo através de seus padrões comportamentais e culturais.
De forma geral, podemos considerar que ainda hoje o indivíduo se “deixa” levar pelo meio e passa pela vida apenas reagindo aos estímulos externos e aos poucos calcificando suas aptidões, sonhos, expectativas e desejos. Isso significa que a sociedade continua a moldar o cidadão. A intensidade dessa influência se estabelece na proporção direta da falta de educação e autoconhecimento, os quais, obviamente, estão correlacionados com as classes sociais. É notória, por exemplo, a reprodução na vida diária de comportamentos aprendidos através de novelas. Atento a isso, Carl Sagan diz: “ a sociedade corrompe o indivíduo”.
Claro que não podemos generalizar a influência da sociedade como algo energúmeno, há a influência positiva e catalizadora de bons ideais. Conforme defendido por Henri Tajfel e John C. Turner em sua teoria da identidade social: “segundo a tese dos psicólogos, o pertencer a um grupo criava um sentimento de nós no indivíduo, a percepção de uma personalidade coletiva. Quanto mais a pessoa se envolve com o coletivo, maior sua identificação com ele e mais completa sua aceitação de valores e normas do grupo”. O indivíduo não é arrastado pela mentalidade do grupo, mas sim escolhe aqueles com modos comuns de agir, sentir e pensar e esses grupos apenas reforçam tais comportamentos. O que ocorre em geral é que o indivíduo extrapola a si mesmo para o bem ou para o mal. O que vai determinar tudo isso são as suas escolhas pessoais.
Nesse ponto entra a força do indivíduo a influenciar o meio. Todas as ações concretizadas e pensamentos verbalizados são influenciadores do meio. Um amigo, um colega de profissão, um filho, a esposa, todos esses podem modificar drasticamente um comportamento devido a um simples exemplo. Isso fica claro com os filhos, devido ao papel de personagem exemplar desempenhado pelo pai. O mesmo ocorre com o chefe e o subalterno, e é também factível nos demais níveis de relacionamento. O fato de um começar a praticar o Método DeRose e adotar padrões comportamentais mais sutis e nobres pode influenciar todo o seu grupo social a questionarem seus hábitos de vida e, talvez, modificá-los. O desenvolvimento de boas maneiras, o cultivo de bons relacionamentos, o aprimoramento da alimentação e o cuidado melhor com o corpo são alguns dos conceitos desenvolvidos pelo Nosso Método os quais reverberam àqueles com quem o praticante convive.
Não é fácil determinar até que ponto estamos influenciando ou sendo influenciados pelo social. Há um sutil fio de conexão que dificulta a objetiva separação de todas essas relações. Talvez daí o fato de muitos passarem pela vida sempre reativos, apenas respondendo aos estímulos externo, sem jamais desenvolver atividades próprias de suas preferências mais profundas. Porém, com o alto nível de consciência que o Método nos proporciona tornamo-nos capazes de perceber as argutas influências da egrégora sobre cada indivíduo.
De fato, muitas foram as pessoas que souberam magistralmente influenciar um grupo e não apenas pequenos grupos, mas países inteiros. Entre eles, podemos citar Gandhi, que levou um país à independência sem o uso de violência, e Hitler, que levou o mundo inteiro à guerra com a força de sua retórica e dissimulação. Note que, embora diametralmente opostos, os dois casos levam a um fator comum, o que se iniciou lentamente com um pequeno número de pessoas envolvidas foi se alastrando cada vez mais rápido com o aumento do número de pessoas. Isso mostra que em certo momento, o próprio coletivo atuava levando os indivíduos a padrões comportamentais semelhantes.
É através dessa força magistral que o Método DeRose vem se espalhando pelo mundo. É através da demonstração, do exemplo - proveniente de cada instrutor e de cada aluno - de que é possível viver uma vida mais leve, saudável, feliz e em harmonia com o meio ambiente que Nossa Cultura se expande e hoje está presente em vários países no mundo todo. Podemos mesmo dizer que o Método DeRose está conduzindo o mundo - através do exemplo - a uma revolução silente que atingirá patamares impensáveis até mesmo para o ideal Wilsoniano*.
Para que essa mudança continue indefectível, contamos com você!
Pedro Carrer
* O Ideal Wilsoniano é um conceito de idealismo desenvolvido pelo ex-presidente dos E.U.A, Woodrow Wilson influenciado pelos ideais do iluminismo, especialmente por Kant. Suas ideias se tornaram públicas ao expor sua proposta para paz, ao final da Primeira Guerra Mundial. Sintetizada em 14 pontos, pregava que os indivíduos são bons por natureza e seu interesse no bem estar coletivo estimula uma cooperação entre as nações, as quais devem desenvolver um sistema ameno de relações entre si e se esforçarem por garantir os direitos humanos e a liberdade individual. Deste conceito surgiu a Sociedade das Nações e depois a O.N.U..