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O tigre e as cabras - Uma visão de nossa cultura

quarta-feira, 1 de julho de 2009





Ramakrishna, foi um dos Mestre de Yôga mais conhecidos e venerados nos últimos séculos. Embora ele não tenha deixado nenhum livro de sua autoria, muitos de seus discípulos escreveram sobre a convivência com o Mestre e nos relatam muitas histórias vividas ao lado dele. Ramakrishna era um homem muito simples e humilde, possuía uma forma muito peculiar de ensinar a seus discípulos. O que ele mais valorizava era a capacidade de se divertir, de brincar e rir. Sempre cercado pelos discípulos, fazia questão de mostrar bom humor e descontração, mesmos em seus últimos anos de vida, nos quais sofreu muito com o câncer.
Um fato importante de deixarmos aqui registrado é que Ramakrshina era de linhagem tântrica. Sua esposa foi a sucessora no comando de sua linhagem.
Ramakrishna contava uma história muito interessante que mostra a essência do Yôga de uma maneira simples e muito lúcida.
Um belo dia uma tigresa prenha estava passando muita fome e necessidade devido a sua dificuldade de caçar e obter alimentos. Então ela avista um rebanho de cabras pastando no vale a sua frente. Sem pensar duas vezes se entrega a uma caçada fulminante às cabras, no entanto suas condições já não eram as melhores e ela não alcança o sucesso. Exausta e faminta, deita no meio do vale. Sem forças para sobreviver ela dá a luz a seu filhote e falece.
As cabras com seu instinto maternal e doce acolhem o pequeno tigre e cuidam de sua sobrevivência.
Ele cresce entre as cabras, adotando um estilo de vida semelhante ao delas abstendo-se completamente de sua natureza.
Quando já era jovem o tigrinho passa por uma experiência que transformaria sua vida. Um tigre adulto avistando o rebanho de cabras decide atacá-lo. Todas as cabras fogem em disparada, pulando umas sobre as outras para escapar com vida de um ataque tão violento.
No entanto, nosso tigrinho, agindo por instinto, se mantém imóvel e com o olhar fixo no atacante. O tigre adulto fica sem entender. “O que é isso? Quem é esse?”
Ainda sem compreender o que estava acontecendo o tigrão deixa de lado o ataque e vai conversar com o pequeno tigre. Sua curiosidade era grande e ele então pergunta o que o jovem estava fazendo ali, defendendo aqueles que deviam ser suas pressas. O pequeno tigre não consegue compreender o que aquele estranho dizia. Para ele aquela era sua realidade. Então, emite um balido semelhante ao de uma cabra e volta a pastar. Sem acreditar no que via o tigrão pega o jovem pelo pescoço e o carrega para a margem de um lago que ficava próximo, a fim de lhe fazer despertar e aprender a ser quem ele nasceu para ser.
O primeiro passo foi mostrar ao jovem o quanto ele era diferente daqueles com quem convivia. Assim, o grande tigre o faz se olhar na superfície espelhada do lago. O jovem se surpreende com o quanto ele era diferente das cabras. Realmente não havia nenhum ponto em comum. Em seguida o tigrão se posiciona ao lado dele para que o jovem perceba a incrível semelhança entre ambos.
Neste ponto temos que ressaltar um ponto interessante. O Mestre DeROSE sempre usou a comparação da mente com um lago. O lago sereno, assim como a mente quieta (estável, sem dispersões) permite um reflexo próximo à realidade do observador. Enquanto nossa mente inquieta, assim como o lago turbulento, distorce as imagens que reflete. Esta é a meta do Yôga “Yôgash chitta vritti Nirodha”Yôga Sutra de Patáñjali , ou seja, a supressão da instabilidade da consciência. Em meu livro : Meditação- uma expansão da consciência comento sobre esta comparação de forma mais profunda.
Voltando à nossa estória.
Naquele momento o jovem teve seu primeiro vislumbre do quanto, em sua essência, era diferente daquelas cabras. Mas ainda não era suficiente, durante sua vida inteira ele aprendeu a ser como as cabras e não podia aceitar esta nova realidade de forma tão fácil.
Para completar sua tarefa o tigrão decide que agora já é hora do jovenzinho deixar de lado a comida de cabra e experimentar comida de tigre. Para isso, o tigrão o leva para sua toca e o faz experimentar sua própria comida. No início o tigrinho reluta acha tudo muito diferente, mas aos poucos passa a descobrir os prazeres desta nova vida. Toda essa experiência o faz perceber o quanto ele estava adormecido ate aquele momento. E a partir de então ele está pronto para ir para a floresta viver sua própria vida de tigre.
Contei esta estória, pois ela ilustra bem o que é o Yôga. O Yôga é uma arte surgida a mais de cinco mil anos, os indianos especulam que tenha sido a mais de oito mil anos, mas como só conseguimos como comprovar os cinco mil anos, trabalhamos sempre com esta provável data.
Esta arte, patrimônio cultural da humanidade, tem como objetivo levar o praticante a um estado de consciência expandido, chamado mega- lucidez, ou hiper-consciência. Em sânscrito, samádhi. Como não há uma tradução exata para este termo, em nossos textos preferimos utilizá-lo sempre que possível. Quando não o for, usaremos principalmente auto-conhecimento, pois é isto que ocorre neste estado.
O Yôga é um conjunto de técnicas que consegue levar o praticante a olhar para dentro, a enxergar sua verdadeira essência.
Nesta história visualizamos o tigre jovem como um iniciante. Aquele que está conformado com sua atual condição de existência. O Mestre é o tigre adulto que não permite, não aceita a conformação do jovem iniciante e tenta mostrar-lhe algo que esta além de sua compreensão inicial. O Yôga são as técnicas, as ferramentas usadas pelo tigrão para conduzir passo a passo o jovem tigre a sua verdadeira essência.
Primeiro, foi usado um recurso para mostrar ao jovem que ele era diferente daquilo que imaginava ser. Depois foi a vez de mostrar com o que ele se assemelha e por fim inserir em sua vida os hábitos e atitudes condizentes com sua natureza de tigre.
Assim é o Yôga conosco. Iniciamos descobrindo que não somos limitados ao que pensávamos ser. Somo muito mais. Somos capazes de sermos melhores em tudo, melhores no trabalho, nos relacionamentos, nos hábitos, na saúde em nossa satisfação entre outros. Passamos então anos enxergar não como um indivíduo imutável e limitado, mas sim como sendo um universo de infinitas possibilidades. Bastando apenas vivê-lo.
Mas livrarmos destes grilhões que aprisionam nossa mente e nossos condicionamentos, não é fácil. É preciso tempo, dedicação e estudo. Assim passamos a ter dia após dia o gene do Yôga cada vez mais “à flor da pele”. De maneira que tudo vai se transformando, nos tornamos cada vez mais consciente e lúcido. Isso é o Yôga. Como diz DeROSE: “é o chumbo se transmutando em ouro”.
Certa vez uma aluna da Uni-Yôga, que mais tarde se tornaria instrutora, escreveu uma carta ao Mestre DeROSE, que ele fez questão de levar ao conhecimento de todos. Ela dizia que era como se, até aquele momento de sua vida, tivesse vivido como um curinga no baralho.
Sabe como é o curinga, não?! Ele pode ser usado em qualquer lugar no baralho, relaciona-se e vive com qualquer carta. No entanto, ele não é nenhuma delas. Ele não tem afinidade profunda com carta alguma.
A jovem aluna conclui dizendo que no SwáSthya Yôga encontrara um baralho inteiro só de curingas. Pessoas que pensam, comportam e possuem ideais de vida semelhante ao dela.
É importante ressaltar um ponto fundamental. O Yôga não deve levar ao fanatismo nem ao isolamento das outras pessoas com a desculpa de que agora você esta desenvolvendo seu potencial e não se mistura com pessoas comuns. Jamais! A palavra Yôga significa união e é isso que ele deve proporcionar a você. Aprimore especialmente a capacidade de se relacionar com as outras pessoas. Aproxime-se mais de sua família, seus amigos e em especial daqueles que compartilham o mesmo ideal de vida que você.
Outra estória bem conhecida também pode ser usada para entender um pouco o que é o Yôga. Você já ouviu o conto da águia e da galinha? Ela foi contada pela primeira vez por volta do ano de 1925 por James Aggrey, um educador nascido em Gana. No seu contexto original ele falava sobre a aceitação e acomodação que o seu povo estava começando a desenvolver à colonização britânica. Sua intenção era despertar em seus conterrâneos o sentimento, ora vívido, de nacionalismo e lutarem por sua independência.
Esta história foi muito bem estudada e comentada no livro: A águia e a galinha – de Leonardo Boff. Neste livro ele traça um belo paralelo com a atual condição humana.
A nossa versão da história é a seguinte:
Um dia um senhor vinha caminhando pela floresta e viu no chão um pequeno pássaro ferido. Era um filhote que havia caído do ninho enquanto sua mãe buscava alimento para a ninhada. O Senhor com muita pena do pequenino, o acolhe em suas mãos e o leva para casa. Depois de alguns dias o pássaro se recupera e se encontra já mais forte e bem nutrido, então o senhor decidi colocá-lo em seu galinheiro para viver junto às galinhas, que poderiam vir a ser suas companheiras.
Depois de alguns anos, um amigo distante deste senhor, um homem de profundo conhecimento, um verdadeiro sábio, o visita. Para sua surpresa, o ancião vê aquele belo espécime de pássaro junto às pobres galinhas.
Indagado sobre o que aquela águia estava fazendo ali, o velho explica que em primeiro lugar não sabia que aquele pássaro era uma águia e que, como o criara como uma galinha, não acreditava que ela pudesse voltar a ser uma águia.
O sábio vai ate a águia para testar a profundidade de sua mutação comportamental. Primeiro ele pega a águia e diz:
“- Você é uma águia e pertence aos céus. Abra suas asas e voe.” – No mesmo momento ele a projeta para cima e solta.
A águia, agindo como uma galinha faria, apenas bate as asas o suficiente para pousar no solo com segurança.
O velho sábio pede a permissão para voltar mais vezes e treinar aquela águia para voltar a ser um águia. Com o consentimento do proprietário daquelas terras, ele volta no dia seguinte.
Desta vez ele pega a águia, a leva para fora do galinheiro, sobe em uma árvore e repete o exercício anterior. A águia olha ao redor como se estivesse pela primeira vez olhando o mundo com os olhos de águia, percebe o horizonte, o vento no corpo. Mas, vê também as galinhas ciscando lá embaixo e sua consciência retorna a sua realidade objetiva. Ela pula de volta para junto das galinhas, que ciscavam o chão.
No dia seguinte, o sábio decide ir mais longe e leva a águia, antes do sol nascer para o alto da montanha que cercava a casa. Ali, no alto, bem longe da comodidade de sua vida cotidiana, longe das galinhas o velho sábio repete o mesmo exercício.
“- Você é uma águia e pertence aos céus. Abra suas asas e voe.”
Observando a natureza vasta a sua frente, a águia se enche de força. Mas ainda temia pelo desconhecido. Só quando viu o brilho do sol que despontava, irradiando uma coloração magnífica é que ela se sente inundada pela força de uma águia. Então, abre as enormes asas e voa. E ela voou para o alto, cada vez mais para o alto até que não pudesse ser mais vista pelos olhos do sábio.
Esta é outra fascinante estória que traz paralelos sobre nossa vida e o Yôga. Podemos identificar cada aspecto da estória como sendo uma parte importante do Yôga.
A águia, criada como uma simples galinha somos nós. Cheios de crédulos, crenças, ego, costumes e cultura que nos aprisionam em uma teia que costumamos chamar de “nossa realidade”. Cheios de possibilidades, cheios de vida, mas presos em nossos próprios paradigmas.
Fomos educados a seguir os passos de nossos pais, que seguiram os passos de nossos avós e assim por diante. Mas será que é isto que queremos ser?
Acostumamos a pensar em trabalho apenas como uma fonte de dinheiro para nos sustentar. Procuramos o trabalho apenas pela possibilidade de ganhos. Mas, é isso que queremos? Quantos você conhece que tem o “emprego dos sonhos” e não se encontra efetivamente feliz?
Já parou para pensar que nossos hábitos, nossas vidas muitas vezes são apenas o reflexo condicionado da sociedade a nossa volta?
Vivemos na dimensão galinha, mas temos dentro de nós toda a dimensão águia a ser explorada.
“Para onde olharmos, encontraremos a dimensão-galinha e a dimensão-águia. Elas vêm revestidas de muitos nomes: realidade e sonho, necessidade e desejo, história e utopia, fato e idéia, enraizamento e abertura....”Leonardo Boff
O velho sábio representa o Mestre. Aquele que vê dentro de cada um de nós a dimensão águia e que nos transmite a chave para trazermos a tona este potencial. Cabe a nós encontrarmos estes Mestres, eles estão entre nós em nossas vidas, nossa cultura. Identificá-los e segui-los tornará a evolução pessoal um caminho mais simples e menos oneroso.
Os dias de treino com a águia, são os anos de práticas, estudo e dedicação.
Os exercícios, são os angas (partes) de nossa prática que aos poucos vão esculpindo a águia dentro de nós.
Você não precisa de dois caminhos, dois mestres nem de dois métodos. Precisa de apenas um. Precisa daquela direção que seja a mais natural e mais clara para você.
No nosso caso, trazemos uma bagagem cultural que perdura pois mais de cinco mil anos. Tendo sido passado de geração em geração, hoje é das mãos do Mestre DeROSE que recebemos estes ensinamentos.
Este é o SwáSthya Yôga, um tesouro ancestral que remonta a mais antiga civilização e que permanece vívido ate hoje em nossos corações. Uma preciosidade que continua transformando a vida de muitos. Junte se a nós, venha compartilhar desta saudável evolução.

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