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Vairágya - O Despreendimento

quinta-feira, 31 de julho de 2008



Vairágya - O Despreendimento
O Mestre que salva uma mulher


O Brahmachárya é uma das duas filosofias comportamentais ao qual o praticante de Yôga deve seguir. A primeira e mais antiga é o Tantra. Tantra significa ente outras coisas, encordoamento de um instrumento musical, trama do tecido, teia ou a maneira correta de se fazer algo. A filosofia tantrica propõe uma maneira mais descontraída e gostosa de se viver, um comportamento matriarcal, sensorial e des-repressor. Contrário ao comportamento Brahmachárya que é patriarcal, anti-sensorial e repressor, típico das culturas guerreiras. O Tantra surgiu em uma civilização muito antiga , datada de mais de 5000 anos em uma região ao Noroeste da atual Índia. Embora seja mais antigo e por isso mais autêntico dentro do Yôga foi subjulgado pelas invasões arianas as quais os tantricos foram impostos. Sendo assim o tantra se tornou secreto e hoje existem poucas escolas que segue este padrão comportamental. Na Índia existem proporcionalmente cerca de 100 mil vezes mais bramachárya do que tantricos.1
Tal como a maioria dos Mestre na Índia o é, este de nossa história não poderia deixar de ser bramachárya. De sorte que um dia quando ele e seu discípulo fiel atravessavam o rio Gangês eis que uma pequena canoa que ao lado deles seguia vira e derruba uma donzela nas águas turbilhentas do rio. O Mestre não pensa duas vezes e se joga na água na tentativa de salva a mulher.
Após muito esforço e uma boa dose de Kúmbhaka ( retenção da respiração) o Mestre consegue chegar à outra margem do rio e salva a mulher.
O discípulo fica atordoado. “Como meu Mestre teve a coragem de tocar nesta mulher?” Não era para menos, no mesmo dia a poucas horas antes o Mestre falava do perigo que é uma mulher. Dizia ele: “Fuja das mulheres, ela são piores do que carne.” No entanto ali estava seu mestre com uma jovem em seus braços.
Para completar a cena o Mestre ainda teve que fazer uma respiração boca a boca nela. “Ai não, já é demais!!!” Pensou o discípulo.
Para o bramachárya a simples presença de uma mulher no mesmo espaço físico já é uma ofensa. O Tantra já tem um posicionamento bem diferente, ele vê a mulher quase como uma Deusa, capaz de realizar um milagre que nenhum homem é capaz, o milagre da vida.
Durante todo o restante do trajeto o discípulo se calou, não disse uma só palavra, nem se quer quis comer quando pararam para um breve descanso. Ele se remoia todo por dentro pela atitude do Mestre. Como um bom bramachárya ele não falou nada, ficou apenas se remoendo. No final do dia ele já não se agüentava mais, tinha que falar, queria saber como o Mestre foi capaz de tal ato.
Claro, o Mestre nada respondeu. Não se deve questionar um Mestre é ele quem questiona o discípulo. Assim a noite para o discípulo demorou a passar, ele não dormiu um minuto se quer. Só pensava.
Pela manhã foi de novo questionar o Mestre: “Mestre, como foi capaz de tocar naquela mulher?Como podê?” Novamente o Mestre nada disse, apenas retribui a pergunta com um olhar repreensivo. Daqueles em que não se precisa dizer mais nada. E novamente o discípulo fica se amargurando.
Naquele dia o discípulo não fora capaz de aprender nada, de realizar nenhum exercício respiratório, mantra, meditação, nada. Tudo devido ao impensável ato do dia anterior.
A noite, percebendo a frustração do jovem discípulo o mestre foi falar com ele. “Meu bom aprendiz, eu carreguei aquela mulher por alguns segundos para retirá-la da água. E vos que carrega-a ate hoje em seus ombros?”

Esta história ilustra bem o principio do vairágya, despreendimento. Segundo Patáñjali em sua obra Yôga Sútra, existem duas formas de se atingir a meta do Yôga o Samádhi. A primeira, abhyása ( prática diligente) consiste no enérgico afã de conquistar a estabilidade da consciência, ou seja a prática constante, por um longo tempo e com ininterrupta dedicação. A segunda é o vairágya ( despreendimento) este consiste em subjulgar a compulsão pelas dispersões, aprender a desligar-se e viver o momento presente.
Inúmeras vezes o praticante iniciante senta para iniciar o seu sádhana e não consegue se desligar de fatos acontecidos no dia anterior ou mesmo de fatos que ainda estão por vir. Perdem um tempo precioso de auto-conhecimento com pensamentos fúteis que não irão resolver em nada o passado e nem mesmo moldar o futuro, uma vez que estes pensamentos serão entrecortados com o desejo de se concentrar e vivenciar a prática que ali está sendo conduzida.
Outras vezes é a nossa reação aos desafios que nos impede de progredir. Temos a oportunidade de nos superarmos, conhecermos nossos limites e tentar nos aperfeiçoar a cada prática, no entanto, alguns não aceitam suas limitações e desencadeiam uma avalanche de emoções que impedem o desenvolvimento e ainda intoxicam o corpo emocional com detritos de tais emoções pesadas.
Vairágya, é aprender a deixar as coisas acontecerem, aceitar os limites, os desafios. É ter consciência de que as suas limitações devem ser superadas aos poucos e não da noite para o dia. É saber que cada indivíduo tem um limite próprio e não querer se comparar a ninguém a não ser consigo mesmo.
Por tanto ao sentar para o seu sádhana, desligue-se. Esqueça o passado, o futuro. Se dê ao luxo deste breve lapso de tempo. Não se preocupe com o colega ao lado, com o professor, com ninguém. Olhe para dentro, sinta-se. Vivencie a delicia de se fazer SwáSthya Yôga!

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