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A Relação Mestre Discípulo - história mitológica de Ganêsha

quinta-feira, 31 de julho de 2008



Conta a lenda que certa vez, Shiva cansado de suas andanças pelo mundo e decidido a compartilhar o resto de sua eternidade ao lado de sua consorte, Párvatí, decidiu escolher entre um de seus filhos para ser o general de seus exércitos e o senhor da proteção do mundo.
Como ate hoje é costume dentro de algumas artes milenares da Índia, como no próprio Yôga, antes de se passar a incumbência de uma tarefa que se requer tamanha confiança e responsabilidade a um sucessor, se faz uma série de testes que avaliam o real caráter do pretendente.
Assim, Shiva convoca Ganêsha e seu irmão Skanda para uma disputa. Aquele que primeiro completasse a volta em torno de seu mundo seria o senhor protetor e serviria a Shiva nesta tão nobre e sagrada missão.
Skanda era um jovem muito determinado e comandava uma das maiores e melhores legiões de soldados que serviam fielmente a Shiva. Era o esperado para a missão de perpetuar o legado de Shiva e proteger o Universo de todas as hordas de demônios e malfeitores. Já Ganesha era um jovem bem mais novo e com muito menos experiência na arte da guerra, mas que sem dúvida possuía um carisma incomparável com todos os seus servos e também possuidor de uma lealdade inquebrantável a Shiva.
Sem dúvida era uma escolha difícil, pois ambos eram dotados, cada qual a sua maneira, de qualidades que eram essenciais para proteger o mundo.
Skanda organiza todo o seu exército e manda que eles abram o caminho por onde seu senhor General irá passar. Assim ele garante liberdade total para completar a volta no mínimo de tempo possível. E assim acontece, Skanda é extremamente rápido e em pouco tempo já esta de volta aos pés de seus pais, clamando o direito de representá-los no mundo.
Somente então ele percebe que Ganêsha já estava lá, assustado e julgando ser impossível alguém ser mais rápido que ele, Skanda, questiona Ganêsha como ele conseguiu tal feito ao que Ganesha responde.
“- Meu mundo são os meus pais.”
Assim Ganêsha que havia dado a volta em torno de seus próprios pais é nomeado o Senhor da Proteção e até hoje na Índia se reverencia Ganêsha como “O Protetor”.

Lembrando que na relação Mestre/discípulo, estes são tidos como pai e filho, a tal ponto que as tradições mais antigas como o Tantra expõe em seus textos (Tantras) que o ensinamento só deve ser passado de pai para filho, através da tradição oral, o parám-pará. Essa história ilustra bem o relacionamento que se espera entre ambos. O discípulo deve ter o Mestre como o seu próprio mundo, o seu Universo a ser conhecido. É com tal identificação que você deve escolher um Mestre para lhe acompanhar na senda de seu desenvolvimento pessoal dentro do SwáSthya Yôga.
Perceba que a liberdade de escolha é do próprio discípulo, é ele quem decide escolher este ou aquele Mestre, ao Mestre cabe a decisão de aceitar ou não o discípulo de acordo com sua própria avaliação do caráter e índole do pretendente ao discipulado.
Uma vez escolhido o Mestre e tendo sido aceito, vem a parte mais difícil, o real sub-julgar do ego e a abertura para aceitar as transformações que ocorrerão em virtude dos ensinamentos e intervenções do Mestre em sua vida.
Só quando realmente aberto aos ensinamentos do Mestre é que conseguimos uma verdadeira evolução na senda. Obviamente o aprendizado depende muito mais do discípulo muito embora o Mestre em alguns momentos chegue a suspender suas considerações pessoais para dar assistência ao discípulo.
Jamais confunda total dedicação do Mestre em ensinar ao discípulo e a necessidade de uma lealdade inquebrantável com um protecionismo, o que pode incorrer em um comportamento não adequado e quase infantil que se baseia na crença de que o Mestre é o responsável pelo crescimento do discípulo, quando na verdade todo o desenvolvimento esta atrelado à real dedicação do discípulo.
Com relação às qualidades e atitudes esperadas de um verdadeiro discípulo os Tantras enumeram as seguintes:
“O discípulo dever ser nobre, puro, visar o mais elevado objetivo humano, ser um estudioso, habilidoso, focado em se libertar;
Ele dever ser benevolente em relação aos seres viventes, ortodoxo, cumpridor de seus próprios deveres, esforçar-se para ser amorosamente bom com pai e mãe1;
Deve gostar de ouvir o Mestre em assuntos do corpo, fala e mente, livre de conceitos acerca de mestres, posição social, conhecimento, riqueza e assim por diante;
Deve estar preparado para dar sua vida a fim de obedecer às ordens do Guru2, abrindo mão de seus próprios planos e sempre extraindo prazer em trabalhar para o mestre.”
Sháradátilaka Tantra

Especialmente para os praticantes de uma linha Tantrica a relação Mestre discípulo deve ser muito bem observada e preservada. Ocorre que pelo fato do Tantra ser uma filosofia comportamental de características matriarcal, sensorial e des-repressora há um relacionamento muito mais amigável e amoroso entre o Mestre e o discípulo a ponto de se tornarem verdadeiros amigos. No entanto há que se observar um senso de hierarquia e respeito muito valioso. Jamais perca o foco desde relacionamento, ele será sempre o seu Mestre e seus pedidos devem ser sempre acatados com irrestrita dedicação e esforço.
O questionamento compulsivo e as emoções pesadas tais como raiva, cobiça, ilusão,orgulho e inveja atravancam o desenvolvimento. O que se espera de um verdadeiro discípulo é o desejo de aprender e de se transformar. O desejo que o torna capaz de se superar e dedicar com real afinco à sua evolução pessoal. Sem isso, o discipulado não ocorre e o discípulo estará fadado a vivenciar frustração e sofrimento inútil.
Mestre é aquele que interfere em sua vida de maneira a processar uma alquimia e transformar uma existência de chumbo em ouro. É ele o responsável por agir diretamente em sua personalidade e transformá-la, moldando um Yôgin perfeito e altamente capaz de preservar a tradição a qual pertence.





1) Vale a pena lembrar que para o verdadeiro discípulo o Mestre é como pai e mãe.
2) Guru , embora no ocidente, tenha ganho um ar de misticismo muitas vezes de forma pejorativa, é apenas a tradução correta da palavra Professor no Hindi e no Sânscrito. Sendo assim Guru é o professor de música, de linguas, matemática ou outra arte qualquer.

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